segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Vida Seca

Criança Morta - Cândido Portinari


Pra começo de conversa o senhor deixe eu contar a minha história, depois o senhor vê se pode me emprestar o que vou lhe pedir.
Eu nasci num ranchinho a mais ou menos 5 léguas de Santana de Parnaíba. Já naci quase que morrendo, minha mãe num guentou o parto e quem me fez crescer foi meu pai.
Meu pai era Jose, só Jose. Tinha um pedacinho de terra piquititinho, mas daquele chão a gente vivia, eu ainda tinha uma esperança. Eu tinha vontade de virar médico como todos os bacurinzin de lá tem, mas o que a vida me deu foi o cabo de uma enxada.
Já crescido a situação parecia melhor. Tinha os dias de quermese. Há os dias de quermese doutor... num desses dias foi que conheci a minha Maria. Eita que muié doutor! Senti até os meus calos do pé que si arrepiava só dela passar. O senhor veja como a vida é doutor... depois de 1 ano eu já tinha um bacurinzin e a maria tava cum mais outro no bucho, e assim foi...Eu e Maria tivemos 5 fio. Eu trabaiava de sol a sol pra ver aqueles moleque crecê e dá pra famia deles o que eu não tive da minha. Eu luitava todo dia pra vê o sorriso de cada um deles e de minha Maria também.
Ma num sei que diabo acontece nesse mundo!!! De uns anos pra cá a terra fico mais seca do que era, o Sol parece pau de lenha no fogo. Ma arresorvi de da um jeito. Peguei no batente. Cavei poço. A água veio, poco mais veio. Mas quando a gente tem um destino dele a gente num iscapa. 3 ano depois a seca veio mais forte do que nunca. Já num tinha nem um matinho sequer. A água acabo e nem o barro que dela sobro dava pra aproveitá.
As criança oiava pra eu e pedia o que comer. Eu falava que era pra esperá um poco que a fome já passava. De veiz em quando aparecia argum viajante de alma boa e dava alguma cumida pras criança, mas quando num passava eu tirava o sustento das palma mesmo.
E foi o dia de hoje que arresorvi mudá di rumo. A cabeça já num guentava mais vê a minha famia sofrê. Falei pra Maria pegar as criança e disse que a gente num ia mais passa fome. Douto eu levei eles na frente da tapera e disse que quiria oiá bem pra eles. Douto eu peguei o revorve e matei a minha famia... por que jurei que nesse mardito mundo eles não sofre mais. Agora eu to aki seu doutor delegado pra um favor pidi pro senhor. O destino feiz as bala acabá quando na maria atirei, agora quero que uma o senhor me empreste porque junto com a minha famia eu quero fica.
Autor: Marcelo Ribas

Mocinhos, bandidos e vítimas.

Putz! Difícil essa história de blog... Tomara que essas indecisões ocorram só no início. Estou confuso. Não sei se para a estréia de “Publicidade, café e cigarro” devo abordar algum tema em especifico ou se devo voltar toda a atenção ao próprio “Blog” , tramando uma super-estratégia publicitária para que ele seja o blog mais visto do Brasil, ou quem sabe o que possui o melhor conteúdo ou o mais divertido ou o mais decorado ou o mais informativo ou o mais... Puxa vida, agora percebi quantos MAIS existem. Quanta pretensão a minha.
Mas voltando ao assunto de blogs , eu estava pesquisando um pouco na “net” sobre estes espaços destinados a difundir idéias e me “auto-questionei” – auto-questionar é um ato de, segundo meu pai, fazer uma pergunta para si mesmo e que o neologismo do AUTO é bastante utilizado no lugar onde nasceu... Rio Grande do Sul, nada contra, tudo a favor – será que os blogs são usados de maneira consciente pelos seus adeptos?
E se por ventura eu resolvesse criar um que fosse inteiramente dedicado ao racismo, não contra, mas falando com se o racismo fosse uma coisa boa? E se o assunto fosse as drogas e todas as “piras” maravilhosas que elas proporcionam, sem mencionar nenhum dos problemas que causam?
É complicado prever o poder da comunicação. É difícil prever a repercussão de uma informação. Existem pessoas que simplesmente lêem algo na internet e assimilam como verdade, tornando as palavras de alguém que nem conhecem o certo para suas vidas. Não me espanta tanta bobeira reunida em uma só geração, a informação quebrou todas as barreiras possíveis, de geográficas até a do tempo.
Refletindo sobre isso e com a indicação do professor Andrei, resolvi criar não só um blog comum, mas um espaço de troca, um lugar onde a dialética é a lei, um lugar onde todas as idéias são bem vindas, mas nem todas são aceitas como verdade. Fato que na publicidade existe muito. Quantos bons publicitários já quebraram a cara quando tiveram a pretensão de tentar imprimir uma meia verdade em seus trabalhos. Isso aqui não irá acontecer, pois estamos neste espaço para trocar idéias e chegar a conclusões aceitáveis para a nossa realidade, ou pelo menos tentaremos. Foi para isso que foi criado. (e para ser avaliado)
Conclusão: Blogs são bons, desde que quem os leia tenha o discernimento de julgar o que é certo e o que é errado.
Bem, imediatamente quero somente dizer um ALOHA, pois além deste ser o meu primeiro blog, hoje é exatamente seu nascimento. Parabéns Publicidade café e cigarro e parabéns Andrei pela idéia.

Até a próxima...