Criança Morta - Cândido PortinariPra começo de conversa o senhor deixe eu contar a minha história, depois o senhor vê se pode me emprestar o que vou lhe pedir.
Eu nasci num ranchinho a mais ou menos 5 léguas de Santana de Parnaíba. Já naci quase que morrendo, minha mãe num guentou o parto e quem me fez crescer foi meu pai.
Meu pai era Jose, só Jose. Tinha um pedacinho de terra piquititinho, mas daquele chão a gente vivia, eu ainda tinha uma esperança. Eu tinha vontade de virar médico como todos os bacurinzin de lá tem, mas o que a vida me deu foi o cabo de uma enxada.
Já crescido a situação parecia melhor. Tinha os dias de quermese. Há os dias de quermese doutor... num desses dias foi que conheci a minha Maria. Eita que muié doutor! Senti até os meus calos do pé que si arrepiava só dela passar. O senhor veja como a vida é doutor... depois de 1 ano eu já tinha um bacurinzin e a maria tava cum mais outro no bucho, e assim foi...Eu e Maria tivemos 5 fio. Eu trabaiava de sol a sol pra ver aqueles moleque crecê e dá pra famia deles o que eu não tive da minha. Eu luitava todo dia pra vê o sorriso de cada um deles e de minha Maria também.
Ma num sei que diabo acontece nesse mundo!!! De uns anos pra cá a terra fico mais seca do que era, o Sol parece pau de lenha no fogo. Ma arresorvi de da um jeito. Peguei no batente. Cavei poço. A água veio, poco mais veio. Mas quando a gente tem um destino dele a gente num iscapa. 3 ano depois a seca veio mais forte do que nunca. Já num tinha nem um matinho sequer. A água acabo e nem o barro que dela sobro dava pra aproveitá.
As criança oiava pra eu e pedia o que comer. Eu falava que era pra esperá um poco que a fome já passava. De veiz em quando aparecia argum viajante de alma boa e dava alguma cumida pras criança, mas quando num passava eu tirava o sustento das palma mesmo.
E foi o dia de hoje que arresorvi mudá di rumo. A cabeça já num guentava mais vê a minha famia sofrê. Falei pra Maria pegar as criança e disse que a gente num ia mais passa fome. Douto eu levei eles na frente da tapera e disse que quiria oiá bem pra eles. Douto eu peguei o revorve e matei a minha famia... por que jurei que nesse mardito mundo eles não sofre mais. Agora eu to aki seu doutor delegado pra um favor pidi pro senhor. O destino feiz as bala acabá quando na maria atirei, agora quero que uma o senhor me empreste porque junto com a minha famia eu quero fica.
Autor: Marcelo Ribas
Eu nasci num ranchinho a mais ou menos 5 léguas de Santana de Parnaíba. Já naci quase que morrendo, minha mãe num guentou o parto e quem me fez crescer foi meu pai.
Meu pai era Jose, só Jose. Tinha um pedacinho de terra piquititinho, mas daquele chão a gente vivia, eu ainda tinha uma esperança. Eu tinha vontade de virar médico como todos os bacurinzin de lá tem, mas o que a vida me deu foi o cabo de uma enxada.
Já crescido a situação parecia melhor. Tinha os dias de quermese. Há os dias de quermese doutor... num desses dias foi que conheci a minha Maria. Eita que muié doutor! Senti até os meus calos do pé que si arrepiava só dela passar. O senhor veja como a vida é doutor... depois de 1 ano eu já tinha um bacurinzin e a maria tava cum mais outro no bucho, e assim foi...Eu e Maria tivemos 5 fio. Eu trabaiava de sol a sol pra ver aqueles moleque crecê e dá pra famia deles o que eu não tive da minha. Eu luitava todo dia pra vê o sorriso de cada um deles e de minha Maria também.
Ma num sei que diabo acontece nesse mundo!!! De uns anos pra cá a terra fico mais seca do que era, o Sol parece pau de lenha no fogo. Ma arresorvi de da um jeito. Peguei no batente. Cavei poço. A água veio, poco mais veio. Mas quando a gente tem um destino dele a gente num iscapa. 3 ano depois a seca veio mais forte do que nunca. Já num tinha nem um matinho sequer. A água acabo e nem o barro que dela sobro dava pra aproveitá.
As criança oiava pra eu e pedia o que comer. Eu falava que era pra esperá um poco que a fome já passava. De veiz em quando aparecia argum viajante de alma boa e dava alguma cumida pras criança, mas quando num passava eu tirava o sustento das palma mesmo.
E foi o dia de hoje que arresorvi mudá di rumo. A cabeça já num guentava mais vê a minha famia sofrê. Falei pra Maria pegar as criança e disse que a gente num ia mais passa fome. Douto eu levei eles na frente da tapera e disse que quiria oiá bem pra eles. Douto eu peguei o revorve e matei a minha famia... por que jurei que nesse mardito mundo eles não sofre mais. Agora eu to aki seu doutor delegado pra um favor pidi pro senhor. O destino feiz as bala acabá quando na maria atirei, agora quero que uma o senhor me empreste porque junto com a minha famia eu quero fica.
Autor: Marcelo Ribas